As bets exploram o uso do celular, a paixão pelo futebol e a esperança de ganho rápido. O resultado aparece no endividamento, na dependência e no adoecimento. Assine a petição por um projeto de lei de iniciativa popular que proteja a sociedade, sobretudo as famílias negras, pobres e periféricas, sem culpar quem aposta.
R$ 37 bide receita bruta das bets no 1º ano do mercado regulado. Fonte: Meio & Mensagem
Manifesto
Manifesto pela proibição das apostas esportivas e dos jogos online no Brasil
As bets estão no futebol, nas redes e no celular. Elas exploram a esperança de mobilidade social. No primeiro ano do mercado regulado, o setor registrou R$ 37 bilhões de receita bruta e cerca de 25,2 milhões de apostadores.
Esse mercado aprofunda desigualdades raciais já existentes. A mesma perda financeira produz danos diferentes conforme a renda, o patrimônio, o acesso ao crédito e a proteção pública. O racismo distribui de forma desigual os riscos e as possibilidades de recuperação.
Esse dinheiro faz falta na vida real. Quando sai da comida, do aluguel e do comércio local, o dano atinge toda a sociedade, mas pesa mais sobre as famílias negras, pobres, periféricas e faveladas.
Nós, organizações do movimento negro e da sociedade civil, defendemos o fim das bets, da publicidade e dos patrocínios que normalizam a aposta. Responsabilizamos as empresas e os agentes públicos, nunca quem apostou, se endividou ou adoeceu.
O transtorno do jogo é um problema de saúde pública. O IEPS estima em pelo menos R$ 30,6 bilhões anuais os danos à saúde associados às apostas. A pobreza, a discriminação e a falta de cuidado ampliam os riscos nos territórios negros e periféricos.
Fontes: Organização Mundial da Saúde; IEPS; LENAD III
02
O lucro sai do bolso das famílias
Entre as famílias de menor renda, as apostas podem consumir até 20% da renda discricionária. Como a pobreza atinge de forma desproporcional a população negra, o dinheiro retirado da comida, do aluguel e do transporte causa danos maiores nas periferias e favelas.
Fontes: Agência Pública; IBGE, Síntese de Indicadores Sociais
03
O futebol é do povo
Camisa, estádio e transmissão viraram vitrine de apostas: em 2025, 18 dos 20 clubes da Série A tinham uma bet como patrocinadora máster. A paixão da torcida não precisa virar convite para apostar.
Fonte: Mídia NINJA
04
Quem decide ouviu quem lucra
Entre 2023 e 2025, o Ministério da Fazenda fez 251 reuniões com representantes do setor de apostas. Com profissionais de saúde, foram apenas 5. A lei precisa mudar de lado.
R$ 37 bide receita bruta no primeiro ano do mercado reguladoMeio & Mensagem
25,2 mide apostadores cadastrados em plataformas autorizadasMeio & Mensagem
17%dos beneficiários do Bolsa Família apostaram em um único mês (estimativa preliminar, só Pix)Banco Central
62%dos mais afetados pelo transtorno do jogo estão nas classes C, D e ECUT
38%é a fatia do orçamento familiar dedicada a lazer, onde entram as apostas, em 2024. Em 2018, eram 10%Strategy&/PwC, via Intercept Brasil
66.482domínios ilegais bloqueados pela SPA entre jan. de 2025 e set. de 2026iGaming Brazil
Atribuímos cada número à fonte original e identificamos as divergências entre os estudos. O setor cresceu rapidamente, retira recursos de despesas essenciais e causa danos maiores onde há menos renda e proteção. No Brasil, a análise precisa considerar raça, gênero, território e classe, sem transformar desigualdade em estereótipo.
O futebol é do povo
O futebol existia antes das bets. E vai continuar existindo.
Quando clubes assinaram um manifesto contra qualquer restrição às bets, a torcida respondeu. Uma análise de 90.123 interações nas redes mostrou que 88% dos comentários criticavam a posição dos clubes. Torcidas organizadas romperam publicamente com as diretorias.
18 de 20 clubes da Série A tinham uma bet como patrocinadora máster em 2025, movimentando perto de R$ 1 bilhão por ano.
7 marcas de apostas apareceram nas transmissões da Copa, com códigos promocionais e odds em tempo real.
Vozes de dentro do jogo: Danilo, Diego Ribas e Filipe Luís já se posicionaram publicamente contra a publicidade de bets.
Fontes: Portal 91 e Brasil de Fato (interações); Mídia NINJA (patrocínios e transmissões); Revista Fórum (jogadores).
A proposta
O que defendemos
Um projeto de lei de iniciativa popular para encerrar as bets, responsabilizar quem lucra com os danos e proteger toda a sociedade, sobretudo as famílias negras e periféricas.
1
Fim das bets
Cassinos online, apostas esportivas, publicidade e patrocínios, inclusive no futebol, devem acabar. Esse mercado não pode lucrar com a esperança de quem busca melhorar de vida.
2
Fiscalização de verdade
A proibição exige fiscalização. Nos termos da lei, o poder público deve bloquear pagamentos, aplicativos, domínios e anúncios. Também deve auditar algoritmos e fluxos financeiros, responsabilizar operadoras, afiliados e influenciadores e proteger a renda popular.
3
Cuidado, não culpa
O transtorno do jogo é uma condição de saúde. Cobramos quem promove a aposta e lucra com ela, sem culpar quem adoeceu. O cuidado deve chegar pelo SUS e considerar as desigualdades raciais e territoriais.
Apoie a proposta e ajude a levar o projeto ao Congresso.
A proposta proíbe a exploração comercial das bets e dos jogos online no Brasil, encerra a publicidade e os patrocínios, bloqueia pagamentos e acessos ilegais e determina a devolução dos saldos dos usuários durante a transição.
Apoio emocional e prevenção do suicídio, por telefone, com ligação gratuita. Se você está em sofrimento, ligue agora. Em risco imediato à vida, ligue também para o 192 (SAMU).
UBS e CAPS (SUS)
As Unidades Básicas de Saúde e os Centros de Atenção Psicossocial oferecem acolhimento e acompanhamento. Procure a unidade mais próxima.
Meu SUS Digital
O aplicativo do Ministério da Saúde oferece teleatendimento para dependências, sem sair de casa.
Jogadores Anônimos
Grupos de apoio entre pessoas que já passaram pelo mesmo problema, em várias cidades do Brasil.
Perguntas frequentes
Dúvidas comuns
O que esta petição defende?
Defende um projeto de lei de iniciativa popular para proibir apostas esportivas, cassinos online, publicidade e patrocínios ligados às bets no Brasil.
Assinar a petição já vale como assinatura formal do projeto de lei?
Ainda não. O cadastro registra apoio à campanha. A coleta formal deverá cumprir as exigências constitucionais e legais da iniciativa popular.
A campanha culpa quem apostou?
Não. A campanha responsabiliza o modelo de negócio, as empresas e os agentes que promovem e lucram com as apostas. Quem foi afetado precisa de cuidado e proteção.
Por que a campanha trata de racismo?
As perdas atingem toda a sociedade, mas produzem danos maiores onde há menos renda, patrimônio, crédito e proteção pública. No Brasil, essas desigualdades têm raça, classe, gênero e território.
O que o projeto de lei propõe?
O texto proíbe a exploração e a publicidade das bets, estabelece transição, devolução de saldos, bloqueio de pagamentos e acessos e sanções para quem descumprir a lei. Ler o projeto de lei.
Como meus dados serão usados?
Os dados serão usados para registrar o apoio e, quando houver autorização específica, enviar notícias, materiais e convocações da campanha por e-mail ou WhatsApp. Os detalhes estão na Política de Privacidade.
Posso retirar meu consentimento?
Sim. A Política de Privacidade informa o canal para interromper as comunicações e exercer os direitos previstos na LGPD, como acesso, correção e eliminação dos dados.
Onde encontro ajuda?
Na seção Ajuda desta página, com canais públicos de saúde e acolhimento: CVV (188), CAPS e UBS do SUS, Meu SUS Digital e Jogadores Anônimos. Em situação de urgência ou risco imediato à vida, ligue para o 192 (SAMU) ou para o 188 (CVV).
Sem as bets, o futebol acaba?
Clubes e entidades argumentam que restringir a publicidade ameaça cerca de R$ 9 bilhões em investimentos no esporte. Mas clubes da Série A como Internacional, Coritiba e Bahia já encerraram contratos com bets e seguem competindo. O financiamento do futebol não pode depender de um produto que causa dependência e endividamento em massa.
Proibir não empurra as pessoas para sites ilegais?
É um risco real, e o levamos a sério. Na Itália e na Bélgica, restrições sem fiscalização forte não impediram o crescimento do mercado ilegal. Por isso a proibição deve vir junto com fiscalização real, com bloqueio de pagamentos, aplicativos e domínios. A SPA já bloqueou 66.482 domínios ilegais entre janeiro de 2025 e setembro de 2026, o que mostra que há capacidade de fiscalizar.
Jogue a favor do Brasil
Assine a petição, compartilhe a campanha e ajude a construir uma mobilização nacional pelo fim das bets.
Todos os dados desta página têm fonte identificada. Onde há divergência entre estudos, isso é sinalizado no texto em vez de escolher um número único como se fosse consenso.
Atenção: as instituições citadas como fontes não fazem parte, por isso, da realização da campanha. As organizações que a realizam estão listadas ao final desta página.
Receita bruta e apostadores: Meio & Mensagem, sobre o primeiro ano do mercado regulado (Lei 14.790/2023).
Transtorno do jogo e saúde pública: Organização Mundial da Saúde; IEPS (estimativa de danos à saúde associados às apostas); LENAD III.
Renda, pobreza e desigualdade racial: IBGE, Síntese de Indicadores Sociais.
Bolsa Família e perfil dos apostadores: Banco Central do Brasil, Estudo Especial nº 119 (estimativas preliminares, baseadas em transações via Pix).
Renda discricionária: Agência Pública, série “Jogo Perigoso”.
Orçamento familiar (lazer × alimentação): Strategy&/PwC, citado pelo Intercept Brasil.
Endividamento (divergência entre estudos): CNC e Made-USP (via Agência Brasil), em contraponto à análise da BNLData.
Atendimento e classes sociais: CUT; Rádio Senado (Associação Brasileira de Psiquiatria); Pro-Amjo, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Fiscalização (66.482 domínios): iGaming Brazil, com dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).
Clubes, patrocínios e transmissões: Mídia NINJA; iGaming Brazil; Santa Portal.
Reação da torcida ao manifesto dos clubes: Portal 91, via Brasil de Fato; Diário do Grande ABC.
Posicionamento de jogadores: Revista Fórum.
Reuniões da Fazenda (251 × 5): Gazeta do Povo.
Cenário político: Brasil de Fato; Estado de Minas; iGaming Brazil.
Experiência internacional (Itália, Bélgica): BNLData; Gazeta do Povo.